Verde por dentro

Quero ser verde por inteiro

Cuidar da alma

Mínimos amparos internos de amor próprio

Não brincar com venenos

Fechar os olhos

Mas escolher com cuidado

Ouvir o coração

Ouvir a cigarra, o sabiá e o companheiro

Saber cuidar, também de mim

Taça transbordante de compaixão

Que transforma a partir do único local possível,

A partir de dentro

Único caminho para com alma verde

Tocar com dedos de carinho

Um mundo com mais amor.

O verde como estado de espírito

O verde como medida

Usá-lo de maneira desmedida

Para continuar com vida.

Fazer de conta que isso é poesia,

E saber que é necessidade.

Autora: Maristela Elicker Dauve

AVISO AOS NÁUFRAGOS

Esta página, por exemplo,

não nasceu para ser lida.

Nasceu para ser pálida,

um mero plágio da Ilíada,

alguma coisa que cala,

folha que volta pro galho,

muito depois de caída.

Nasceu para ser praia,

quem sabe Andrômeda, Antártida,

Himalaia, sílaba sentida,

nasceu para ser última

a que não nasceu ainda.

Palavras trazidas de longe

pelas águas do Nilo,

um dia, esta página, papiro,

vai ter que ser traduzida,

para o símbolo, para o sânscrito,

para todos os dialetos da Índia,

vai ter que dizer bom-dia

ao que só se diz ao pé do ouvido,

vai ter que ser a brusca pedra

onde alguém deixou cair o vidro.

Mão é assim que é a vida?

PAULO LEMINSKI

Projeto do Natuerê

Apresentação / Descrição

Em 2006, após encontros casuais em ambientes universitários, dois estudantes de Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – João Weber Guimarães Barreto, estudante de Composição e Regência, e Fabrício Dalla Vecchia, estudante da Pós-Graduação em Educação Musical – resolveram efetivar trabalho musical com grande influência da música contemporânea (seja popular ou erudita). Este duo nasce com intenções de se fazer música experimental e que esteja vinculada à preservação da natureza. Atualmente, o Natuerê incorporou mais um integrante (além de outras permanentes participações especiais): Jorge Weber – percussão .

Situados num contexto de depredações à natureza, o grupo objetiva trabalhar a conscientização ecológica através da música – e o inverso. Para tanto, programa as atividades (programação geral em anexo I): seminários, oficinas, mostras artísticas, atos públicos (Plante com o Natuerê) e vivências. Todas as atividades serão gratuitas e deverão ser realizadas em ambientes urbanos e rurais (sugestões de ambientes em anexo II), pois são de suma importância para a educação artístico-ambiental destas populações.

Pretendemos envolver toda comunidade – geralmente nos (nas): escolas (nível fundamental, médio e superior, creches – principalmente entidades públicas), bairros periféricos, parques ecológicos em ambientes urbanos, lugares (e cidades circunvizinhas) de reserva natural, restaurantes, museus, teatros, etc.

Serão realizadas:

  • 1 dia de seminário/oficina/mostra artística/ato público;
  • 1 dia de vivência.

Projeto do Natuerê

Justificativa

O projeto do Natuerê surge como uma alternativa mais humana e consciente de se encarar a natureza (seja humana ou não) sanando duas carências básicas da população, educação ambiental e musical assim como a apreciação artística.

Sabe-se que entidades ambientais de caráter científico ou fiscalizador atestam para dados alarmantes de depredação da natureza (dados em anexo III). Acrescenta-se a falta de informações sobre a permacultura tanto para a população urbana quanto rural, e a possível auto-suficiência de uma comunidade é substituída pela gradativa e crescente dependência, assemelhando-se a um sistema escravagista.

Sabe-se que a educação artística, e mais especificamente a música, contribui de forma decisiva na formação de um indivíduo, porém esta há um tempo não está presente na maioria das entidades de ensino fundamental, médio e superior, principalmente nas entidades públicas; e esta situação fatídica se agrava, pois a população mais pobre não tem, tampouco, acesso à cultura e arte.

Neste cenário, urge um projeto, que de maneira inovadora e comunicativa, consiga aglutinar um público diverso – diversas idades, diversas classes sociais, etc – a pensar, e praticar, um paradigma de vida que envolva a preservação da natureza com a música – como leitmotiv e principais elementos de criação. Vale salientar a necessidade de projetos ‘permanentes’, que possam desmistificar o assistencialismo ou qualquer outra atitude que vise o imediato apenas. O Natuerê tem um enfoque determinante no processo e, por isso, propõe ações permanentes, tais como: distribuição gratuita de material audiovisual (cd ou DVD), de cartilha – dos seminários e/ou oficinas – e de sementes diversas e um ato público ‘Plante com o Natuerê’, onde depois de finalizada a mostra artística, no mesmo local, realizamos um ato de plantio.

Além de manter semanalmente apresentações artísticas e atos públicos, o Natuerê já realiza viagens à diversos lugares – do Brasil e da América Latina – e aplica os princípios abordados. Do resultado destas viagens conseguiu-se obter um panorama fundamental das atividades artísticas realizadas nestes lugares, assim como o nível de conscientização ambiental de certos povoados e seus visitantes. – Fotos de shows do Natuerê em anexo IV.

Projeto do Natuerê

Objetivos

O objetivo geral do projeto é proporcionar momentos de criação musical-ambiental utilizando as seguintes atividades: seminário, oficina, mostras artística, ato público, e vivência (S.O.M.A.V.). Torna-se fundamental uma consciência ambiental que vislumbre outros patamares de convivência social-político-econômica. A curto prazo, populações não instruídas e/ou sem acesso à educação poderão ter um primeiro contato com noções básicas de preservação (e manejo) ambiental e a médio e longo prazo estas populações poderão se fortificar e promover, na sua região, medidas: reflorestamento, auto-suficiência de alimentos, reciclagem seletiva, etc.

Para atingir o objetivo geral, algumas etapas antecedentes são necessárias: pré-produção do Natuerê (produção de seminários com convidados (as) de experiência no assunto: educação ambiental/musical; gravação de material audiovisual; impressão de material didático e informativo – utilizando materiais recicláveis –; produção de site do Natuerê; etc.), montar infra-estrutura – espaço físico – permanente e de livre acesso que esteja vinculada à pré-produção e a experimentação no sentido de buscar a troca de conhecimentos entre os proponentes do Natuerê & a comunidade.

Seminários – Realizar cinco seminários com produção do Natuerê;

Gravação de material audiovisual – Realizar cinco ensaios e a final gravação de material musical e educativo que será exibido nas posteriores atividades do Natuerê;

Impressão de material didático e informativo – Realizar impressão inicial de 10.000 cartilhas e 500 cartazes didáticos sobre o Natuerê e sua linha de trabalho musical-ecológico (os panfletos, cartazes e demais materiais impressos terão suas origens em materiais reciclados);

Produção de site do Natuerê – Realizar a produção de site que permita uma maior comunicação (livre) entre os proponentes do projeto e a comunidade;

Montar infra-estrutura permanente e de livre acesso – Promover um espaço permanente onde possamos construir a estrutura das oficinas, mostras artísticas, atos, seminários e vivências.

Projeto do Natuerê

Metas / Resultados previstos

A meta primordial é a realização do ciclo de atividades (S.O.M.A.V.) – com a captação de recursos e apoios – em um número máximo possível de cidades e regiões do Brasil; assim como promover a educação ambiental-musical através da troca de conhecimentos e das experiências de cada indivíduo. É sabido e incontestável que este intercâmbio de saberes proporciona uma consciência crítica qualificada a respeito do ser enquanto cidadão e sua responsabilidade com a preservação da natureza.

Para as atividades que precedem a produção final da S.O.M.A.V.: Haverá seminários que objetivarão a capacitação e qualificação (inclusive dos integrantes do grupo proponente do projeto). Serão realizados cinco seminários com capacidade individual para 50 pessoas. Concomitantemente a realização destes seminários – acrescenta-se aqui, a vivência particular dos integrantes do Natuerê –, serão encaminhados os processos de gravação de material audiovisual (com músicas do grupo e a disponibilização total das partituras; com vídeos educativos; com indicações de bibliografia), impressão de material didático e informativo e a produção de site. Prevemos, com estas atividades, uma distribuição livre e interativa com o público proporcionando capacitações (cultural/artística/ambiental), inclusive à longa distância. Para a produção de todos os itens anteriores faz-se necessário a promoção de uma infra-estrutura física permanente e de livre acesso.

Para o ciclo de atividades S.O.M.A.V. prevemos a participação de no mínimo 50 pessoas (rotativas). Estas atividades serão semanais e, inevitavelmente, funcionarão como polinizadoras de diversas outras atividades, pois servirão como base teórica e prática para que as comunidades possam ter auto-suficiência, em diversos níveis.

Serão produzidos materiais de áudio/vídeo/fotografia de todas atividades para arquivo e divulgação do Natuerê bem como, certificados para os participantes.

Todas as atividades serão geridas de forma sustentável através do consumo consciente de materiais recicláveis, reafirmando o compromisso ambiental.

Projeto do Natuerê

Público Alvo

As atividades são voltadas para todo tipo de pessoas e comunidades. Devido ao engajamento social-ambiental-artístico do projeto, faz-se necessário, este mesmo, priorizar espaços físicos que possuem alto nível de degradação.

Estimamos a forte presença de um público universitário, pois o Natuerê já realiza há dois anos, voluntariamente, estas atividades na Universidade Federal da Bahia.

As atividades serão gratuitas e, por esta razão, estimamos a presença de pessoas de baixa renda, desprovidas do acesso à educação artística e ambiental bem como à apreciação artística.

Projeto do Natuerê

Atividades Formação e/ou Intercâmbio / Retorno de interesse público

Inseridos num contexto de degradação ambiental-artística e de debilidade ao acesso a cultura e arte, propomos um projeto com paradigmas de se conglomerar desde a população de baixa à alta renda em atividades gratuitas e interativas.

Realizar-se-ão também: intervenções urbanas, ato público, catalogação e registro de todas as atividades, distribuição de material audiovisual e de sementes de plantas diversas.

Os participantes das atividades terão certificados que comprovem sua participação.

Projeto do Natuerê

Avaliação dos resultados

Teremos registros audiovisuais de todas as atividades – incluindo a pré-produção – que poderão ser divulgados em meios adequados para isto. Será realizado também um questionário de pesquisa de público.

Todas as avaliações e registros audiovisuais serão apresentadas aos nossos apoiadores / colaboradores / patrocinadores / realizadores através de compilação organizada num cd / dvd.

"Ah, como os mais simples dos homens são doentes e confusos e estúpidos ao pé da clara simplicidade e saúde em existir das árvores e das plantas!", Alberto Caeiro
...profetiza-se que as próximas guerras serão sobre o controle da água.

Embora o público saiba que há uma relação direta entre o desmatamento e a falta de água, poucos sabem que é possível convidar a água de volta à propriedade rural, através de técnicas de manejo da vegetação. Podemos fazer brotar nascentes que secaram , e limpar riachos turvos. Dispondo de mais de 300 hectares, podemos até influir no regime de chuvas.

Exige esforço , sim, mas contamos com a ajuda de uma aliada poderosa: a Natureza. Observamos que a Natureza sempre evolui em direção à vida, e isto inclui a re-umidificação da paisagem. Onde há vegetação, há água. E qual será o ato mais nobre de cidadania do que aumentar a águadisponível?


A RELAÇÃO ENTRE A VEGETAÇÃO E A ÁGUA

1) A vegetação é composta de água! Mas de 90 por cento da estrutura da planta ( e do nosso corpo) é feita de água. Uma floresta (uma caatinga) representa uma enorme reserva de água.

2) Um dos sub-produtos da decomposição da matéria orgânica é a água. Um sistema rico em biomassa em constante decomposição ( cobertura morta) é constantemente alimentado com água.

3) À noite, a folha coleta gotinhas de umidade do ar, e a recicla para o sistema ( criando o sereno). Este pode ser uma fonte importante de umidade para o semi-árido. Uma árvore frondosa pode ter meio-hectare de superfície de folhas, todas coletando água. Quando a mata é tombada para plantar culturas baixas ( de
pouca área foliar), perde-se uma grande fonte de umidade. Já foi provado que sai mais água pelo Rio Amazona que cai em forma de chuva. O restante vem por condensação.

4) Quando uma corrente de ar úmido bate numa floresta ( como acontece no litoral ), esta barreira comprime o ar, tornando-o mais pesado, facilitando a formação de chuva. Se os topos da serra do mar são desmatados ( para, por exemplo, formar pastos), perde-se este efeito, o ciclo das chuvas é quebrado , prejudicando o interior do estado.

5) O húmus formado por detritos é uma esponja, com grande capacidade de absorver água. 10 cm de húmus pode armazenar 3cm de água. Uma floresta esconde um lago raso no seu pé.

6) As raízes das plantas absorvem a água, não deixando esta escapar do sistema. Esta água é reciclada pela seiva das plantas e transpirada , formando novas nuvens. Merece apontar que esta água transpirada é uma solução rica em produtos de metabolismo e padrões energéticos, totalmente diferente da água evaporada de um solo nu.

7) A vegetação rebaixa a temperatura do solo por volta de 8 graus, diminuindo a taxa de evaporação. Esta temperatura mais baixa também faz com que as nuvens desçam, facilitando a chegada das chuvas ( o ar quente sobe, o ar frio desce).

8) A árvore cria água por um processo químico! O produto do metabolismo, em presença da luz solar, é o oxigênio. O produto deste mesmo metabolismo, na escuridão do solo, é o hidrogênio. A chuva leva o oxigênio do ar para dentro do solo, onde encontra o hidrogênio-e uma nova molécula de água é criada.


ESTRATÉGIAS PARA RECUPERAR A ÁGUA

1. Reflorestamento dos topos de todas as serras. Pelo efeito de comprimento do ar e condensação, pode reciclar água para os campos abaixo. Eu já vi, no Sertão, um topo florestado dentro da nuvem enquanto um pasto vizinho, da mesma altura, estava descoberto.

2. Matas ciliares ( na beira dos rios e riachos). Estas fazem com que a água chegue gradativamente ao longo do ano, evitando enchentes. Estas matas podem ser produtivas em frutas ( como Açai).

3. Reflorestamento de boqueirões ( cabeça de vale). São lugares onde junta-se as águas e pode fazer brotar uma fonte ou um riacho.

4. Quebra-ventos para diminuir a evaporação-vital no Sertão, talvez a estratégia mais importante.

5. Plantio de policulturas, incluindo elementos arbóreos e muita massa orgânica . O campo nunca se desnuda, e toda a água se conserva.

6. Quebrar pastos grandes em piquetes menores rodeados por faixas forrageiras.

7. Reciclar toda a água servida em vez de jogá-la diretamente no rio. Isto se faz facilmente com filtros biológicos , feitos de canteiros de plantas aquáticas. 100 litros de água utilizados 3 vezes significam 300 litros de água.

8. Nas cidades, captar a água dos telhados. Em Salvador, uma casa de 100 metros quadrados captaria aproximadamente 170,000 litros de água por ano. Mesmo no Sertão, esta casa captaria de 30,000 a 60,000 litros, conforme o ano. Com isto as cidades terão menos necessidade de esgotar os rios.

É claro que estas estratégias, além de melhorar o clima e aumentar a disponibilidade da água, melhoram as condições do campo, tornando-os mais produtivos. Assim um ato de cidadania reverte também em benefício direto para o
agricultor.

Fonte: Marsha Hanzi http://www.marsha.com.br